fui fuçar no blog de uma ex eterna e encontrei uma relação de músicas (em fita cassete!) que fiz para mostrar todo o meu amor (e todo meu ressentimento, ao mesmo tempo – mas isso ex imediato não conta). parece que ela achou bonito e postou as letras que estão aí embaixo. ex cepcional!
foi um amor movido basicamente a samba, bossa e adriana calcanhotto, como vocês perceberão. é que eu ainda mantinha a elegância e passava longe das hoje queridas cantoras de boite.
e chora cavaco:
Depois De Ter Você
Adriana Calcanhotto
Depois de ter você
Pra que querer saber que horas são?
Se é noite ou faz calor
Se estamos no verão
Se o sol virá ou não
Ou pra que é que serve
Uma canção como esta?
Depois de ter você
Poetas para quê?
Os deuses, as dúvidas
Pra que amendoeiras pelas ruas?
Pra que servem as ruas?
Depois de ter você…
Samba do grande amor
Chico Duarte
Tinha cá pra mim que agora sim eu vivia enfim o grande amor mentira
me atirei assim de trampolim fui até o fim um amador
passava um verão a água e pão dava o meu quinhão pro grande amor mentira
eu botava a mão no fogo então com meu coração de fiador
Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito
exijo respeito não sou mais um sonhador
chego a mudar de calçada
quando aparece uma flor
e dou risada do grande amor mentira
Fui muito fiel comprei anel botei no papel o grande amor mentira
reservei hotel sarapatel e lua-de-mel em Salvador
fui rezar na sé pra São José que eu levava fé no grande amor mentira
fiz promessa até pra oxumaré de subir a pé o Redentor
Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito
exijo respeito não sou mais um sonhador
chego a mudar de calçada
quando aparece uma flor
e dou risada do grande
e dou risada do grande
e dou risada do grande
e dou risada do grande amor..
menti-ra..
Joana Francesa
Chico Duarte
Tu ris, tu mens trop
Tu pleures, tu meurs trop
Tu as le tropique
Dans le sang et sur la peau
Geme de loucura e de torpor
Já é madrugada
Acorda, acorda, acorda, acorda, acorda
Mata-me de rir
Fala-me de amor
Songes et mensonges
Sei de longe e sei de cor
Geme de prazer e de pavor
Já é madrugada
Acorda, acorda, acorda, acorda, acorda
Vem molhar meu colo
Vou te consolar
Vem, mulato mole
Dançar dans mes bras
Vem, moleque me dizer
Onde é que está
Ton soleil, ta braise
Quem me enfeitiçou
O mar, marée, bateau
Tu as le parfum
De la cachaça e de suor
Geme de preguiça e de calor
Já é madrugada
Acorda, acorda, acorda, acorda, acorda
Acorda, acorda, acorda, acorda, acorda
Disfarça e chora
Cartola / Dalmo Castello
Chora, disfarça e chora
Aproveita a voz do lamento
Que já vem a aurora
A pessoa que tanto queria
Antes mesmo de raiar o dia
Deixou o ensaio por outro
Ò triste senhora
Disfarça e chora
Todo pranto tem hora
E eu vejo seu pranto cair
No momento mais certo
Olhar, gostar, só de longe
Não faz ninguém chegar perto
E seu pranto ò triste senhora
Vai molhar o deserto
Chora, disfarça e chora
Aproveita a voz do lamento
Que já vem a aurora
Eu amei
Tom Jobim
Eu amei
E amei, ai de mim, muito mais do que devia amar
E chorei
Ao sentir que iria sofrer e me desesperar
Foi então
Que da minha infinita tristeza aconteceu você
Encontrei
Em você a razão de viver e de amar em paz
E não sofrer mais
Nunca mais
Porque o amor é a coisa mais triste quando se desfaz
O amor é a coisa mais triste quando se desfaz
Retrato em Branco e Preto
Tom Jobim / Chico Duarte
Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor
Já conheço as pedras do caminho,
E sei também que ali sozinho,
Eu vou ficar tanto pior
O que é que eu posso contra o encanto,
Desse amor que eu nego tanto
Evito tanto,
E que no entanto,
Volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes,
velhos fatos,
Que num álbum de retratos,
Eu teimo em colecionar.
Lá vou eu de novo como um tolo,
Procurar o desconsolo,
Que cansei de conhecer
Novos dias tristes,
noites claras,
Versos, cartas, minha cara,
Ainda volto a lhe escrever
Pra lhe dizer que isso é pecado,
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado,
E você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto,
Outro retrato em branco e preto,
A maltratar meu cora- ção
Vou colecionar mais um soneto,
Outro retrato em branco e preto,
A maltratar meu coração
Dor de Cotovelo
Caetano Veloso
o ciúme dói nos cotovelos
na raiz dos cabelos
gela a sola dos pés
faz os músculos ficarem moles
e o estômago vão
e sem fome
dói da flor da pele ao pó do osso
rói do cóccix até o pescoço
acende uma luz branca em seu umbigo
você ama o inimigo
e se torna inimigo do amor
o ciúme dói do leito à margem
dói pra fora na paisagem
arde ao sol do fim do dia
corre pelas veias na ramagem
atravessa a voz e a melodia.
Insensatez
Vinícius de Moraes / Tom Jobim
A insensatez que você fez
Coração mais sem cuidado
Fez chorar de dor o seu amor
Um amor tão delicado
Ah! Porque você foi fraco assim
Assim tão desalmado
Ah! Meu coração quem nunca amou
Não merece ser amado
Vai meu coração, ouve a razão
Usa só sinceridade
Quem semeia vento, diz a razão
Colhe sempre tempestade
Vai meu coração
Pede perdão, perdão apaixonado
Vai porque não pede perdão
Não é nunca perdoado
Ou
How Insensitive
How Insensitive
I must have seemed
When she told me that he loved me
How unmoved and cold
I must have seemed
When she told me so sincerely
Why she must have asked
Did I just turn and stare in icy silence
What was I to say
What can you say when a love affair is over
Now she’s gone away
And I’m alone with the memory of her last look
Vague and drawn and sad
I see it still
All her heartbreak in that last look
Why she must have asked
Did I just stare in icy silence
What was I to do
What can one do when a love affair is over
Você vai ver
Tom Jobim
Você vai ver
você vai implorar me pedir pra voltar
e eu vou dizer
dessa vez não vai dar
eu fui gostar de você
dei carinho, amor pra valer
dei tanto amor
mas você queria só prazer
você zombou
e brincou com as coisas mais sérias que eu fiz
quando eu tentei
com você ser feliz
era tão forte a ilusão
que prendia o meu coração
você matou a ilusão
libertou meu coração
hoje é você que vai ter que chorar
você vai ver
Pelos ares
Adriana Calcanhotto
Não lhe peço nada
Mas se acaso você perguntar
Por você não há o que eu não faça
Guardo inteira em mim
A casa que mandei
Um dia
Pelos ares
E a reconstruo em todos os detalhes
Intactos e implacáveis
Eis aqui
Bicicleta, planta, céu,
Estante cama e eu
Logo estará
Tudo no seu lugar
Eis aqui
Chocolate, gato, chão,
Espelho, luz, calção
No seu lugar
Pra ver você chegar
Cinco Minutos
Jorge Alfa Ben Jor
Pedi você
Prá esperar 5 minutos só
Você foi embora
sem me atender
Não sabe o que perdeu
Pois você não viu,
você não viu…
Como eu fiquei
Pedi Você
Prá esperar 5 minutos só
você foi embora,
embora, embora
sem me atender…
pois você não viu,
não viu, não viu
como eu fiquei
dizem que foi chorando,
sorrindo, cantando
Os meus amigos,
meus amigos, até disseram
Que foi amando, amando
Pois você não sabe,
você não sabe
E nunca, e nunca,
E nunca, e nunca,
E nunca, e nunca,
Vai saber porque
Pois você não sabe
quanto vale cinco minutos,
Cinco minutos na vida
Só Tinha De Ser Com Você
Tom Jobim / Aloysio de Oliveira
É, só eu sei quanto amor eu guardei
Sem saber que era só pra você
É, só eu sei quanto amor eu guardei
Sem saber que era só pra você
É, só tinha de ser com você
Havia de ser pra você
Senão era mais uma dor
Senão não seria o amor
Aquele que o mundo não vê
O amor que chegou para dar
E que ninguém deu pra você
O amor que chegou para dar
E que ninguém deu pra você
É, você que é feito de azul
Me deixa morar nesse azul
Me deixa encontrar minha paz
Você que é bonito demais
Se ao menos pudesse saber
Que eu sempre fui só de você
E você sempre foi só de mim
Quero esquecer você
Jorge Ben Alfa Jor
Quero esquecer você
mas não consigo porque
por você eu me enfeiticei
por você eu me enamorei
Sei que não devo
querer ser tanto assim
pois esse desejo
é proibido para mim
Mas foi aquele beijo
sem querer que você me deu
que meu amor por você nasceu
Onde Andarás
Ferreira Gullar / Caetano Veloso
Onde andarás nesta tarde vazia
Tão clara e sem fim
Enquanto o mar bate azul em Ipanema
Em que bar, em que cinema te esqueces de mim
Enquanto o mar bate azul em Ipanema
Em que bar, em que cinema te esqueces…
Eu sei, meu endereço apagaste do teu coração
A cigarra do apartamento
O chão de cimento existem em vão
Não serve pra nada a escada, o elevador
Já não serve pra nada a janela
A cortina amarela, perdi meu amor
E é por isso que eu saio pra rua
Sem saber pra quê
Na esperança talvez de que o acaso
Por mero descaso me leve a você
Na esperança talvez de que o acaso
Por mero descaso
Me leve… eu sei
Herivelto Martins
Amanheceu, que surpresa
Me reservava a tristeza
Nessa manhã muito fria
Houve algo de anormal
Tua voz habitual
Não ouvi dizer
Bom dia!
Teu travesseiro vazio
Provocou-me um arrepio
Levantei-me sem demora
E a ausência dos teus pertences
Me disse, não te convences
Paciência, ele foi embora
Nem sequer no apartamento
Deixaste um eco, um alento
Da tua voz tão querida
E eu concluí num repente
Que o amor é simplesmente
O ridículo da vida
Num recurso derradeiro
Corri até o banheiro
Pra te encontar, que ironia
E que erro tu cometeste
Na toalha que esqueceste
Estava escrito bom dia
“drama”, o disco perfeito para lidar com exs. levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima, grita nossa querida bethânia. porque ela sabe das coisas.